Postado em Uncategorized em fevereiro 26, 2010 por cellow

Os dois vultos altos – um muito magro, o outro com notável corpulência – caminhavam lado a lado na calçada, numa noite gélida, enevoada e estranhamente iluminada; mesmo com a ausência de postes por aquelas bandas, o mais forte olhou para o relógio de ponteiros e conseguiu facilmente discernir a hora: 23:35. Após um certo tempo caminhando, o telhado de uma construção simples se mostrou, altivo, recortando a névoa como um detalhe adequadamente grotesco e indicando o fim do rápido passeio da dupla. Pararam ambos na soleira da porta, e o mais magro bateu na porta quatro vezes, demorando-se ritmicamente na quarta pancada. A porta se abriu sozinha, e os dois adentraram  a sala com o ar de quem era obrigado a fazê-lo. O local era pobre: de fato, a mobília consistia apenas em uma mesa de madeira envernizada, com duas cadeiras de espaldar reto e uma estante ao fundo para completar  a – falta de — decoração. Sem se demorar, cada um escolheu uma cadeira para se sentar, e por três exatos minutos se encararam. Por fim, o corpulento – que trazia também um robusto bigode, além de olhos muito brilhantes — quebrou o silêncio, sua voz falhando um pouco nas primeiras sílabas.

— Ela está o traindo. Minhas investigações foram demoradas, admito, mas são de veracidade indubitável. Ela está o traindo.

— Dê-me os detalhes. — Falou o magro, apoiando elegantemente um braço na mesa e brincando com o polegar, enquanto o outro revirava os bolsos do sobretudo e tirava um envelope abarrotado do fundo. Colocou-o na mesa, e recomeçou a falar enquanto o magro apanhava delicadamente o envelope e passava foto após foto por seus olhos, todas corroborando o que o corpulento afirmara.

— Começou ano passado. Ela sai de casa impreterivelmente às 8:30, leva o cachorro para dar um passeio, toma um suco na lanchonete natureba perto do Sally’s, volta pra casa, deixa o cachorro e some até o meio-dia, que é quando retorna para casa, meia hora antes de você chegar. Nesse período em que desaparece, descobri que reaparece sadomasoquistamente na casa de Orlando Acevedo, na 5th. Por duas vezes também se encontrou com um outro homem, que suspeito ser ninguém menos que Andrea Moretti, das Relações Públicas. Também tem um pequ…

— Espere. — Interrompeu o outro, calando-o com um aceno de mão. Tudo ficou quieto, o silêncio só sendo entrecortado pelo flap-flap do magro passando as fotos compulsivamente diante das órbitas, virando algumas de cabeça para baixo e analisando com a mão no queixo outras, em que a amada aparece apenas de calcinha, amarrada igual a um frango no meio da cama. Por fim, o flap-flap parou, o que o corpulento interpretou como sinal para prosseguir com o falatório.

— Ela abriu, secretamente, uma conta paralela em outro banco, e vêm transferindo U$ 7.000 a cada mês, começando por fevereiro. Data dessa época também a aquisição de um imóvel bem localizado no centro, em nome de Mr. Orlando Acevedo. Há mais coisas ainda; revirei bem o lixo, e descobri que ela se internou por três dias no PS local, e o diagnóstico foi positivo para HIV. Se treparam sem camisinha, acho bom voc…

— Eu sei o que é HIV, obrigado. Pare de flertar comigo. — Disse o outro, parecendo estar irritado pela primeira vez desde o começo da conversa.

— Não preciso flertar com você, meu chapa. Assim que acabar isso, vou para o Lights of Paradise encontrar com a sensual Ellie, que já deve estar acesa me esperando.  — O corpulento fez gestos obscenos, esfregando os próprios mamilos fingindo que tinha seios, e isso fez o magro rir. Por uns minutos, conversaram sobre indecências e mulheres, e o foco da conversa foi completamente desviado do assunto principal; pareciam que eram apenas amigos chacotando o sexo oposto. Por fim, o mais magro se levantou, alisando as vestes apenas por fazer, erguendo a mão ossuda para o outro a apertar.

— Bem, é o fim. Investi bem meu dinheiro  em você. Uma boa noite, e nos vemos por aí, espero. — Disse reflexivamente, mal ouvindo as palavras corteses da resposta do outro. Sumiram na noite tal como vieram, um pra cada lado dessa vez.

Alguns dias depois, uma pequena carta chegou na correspondência matinal do corpulento. Participava-lhe o casamento do magro com a infiel amada.

janela

Postado em Uncategorized em outubro 10, 2009 por cellow

você me ensinou como jogar, mas não como sorver
anos se passaram desde que você decidiu gastar
a tábua se crispando a faz sofrer,
teme o fogo, mas não ousa apagar

sai da praia, amor,
que ela não foi feita pra você.
sai da praia, amor,
antes que você também comece a se esquecer

vamos nos perder no ocaso,
aprender a entreter,
feito ideal Parnaso,
você me ensina a escrever.

e vem com esse seu charme de ignorante
tentando, a todo custo, aprender a virar
faz a espera virar maçante,
e me beija, pra nunca mais voltar.

Não, mas eu…

Conjunto Divagações Insanas: 001

Postado em Uncategorized em fevereiro 24, 2009 por cellow

Primeiro post do CDI. Fique atento aos outros.

Era uma vez um… estojinho de Tic Tac. É, isso mesmo, sabor por menos de duas calorias. O estojinho era feliz. Dentre os da loja, era o único que havia perdido o ” selo ”, e os outros estojinhos de Tic Tac o reverenciavam. Contudo, por estar sem selo, nenhuma pessoa o queria, e ele constantemente via seus amigos sendo vendidos e viajando o país afora, fazendo história. O estojinho, coitado, sempre ficava para trás. Com o passar do tempo, foi ficando triste, e suas pastilhas começaram a ficar com a coloração alaranjada. ( Não me interrompa, deixe terminar a história )

Com freqüência ( não vou aposentar o trema, podem  shamar a pulísia ), chegavam ao seus ‘ouvidos’ histórias dos amigos que alcançaram sucesso, como James, o estojinho que fez comercial de tevê e ainda pagou de bonitão ao lado da gostosa.

O nosso protagonista se irritava com isso, pois ensinara a James tudo o que sabia. Decidiu mudar de prateleira e, aproveitando as suas pastilhas levemente laranjas, o vovozão se juntou aos Tic Tac de laranja. Lá, em alguns dias, virou ídolo e rapidamente juntou amigos que, comovidos com sua história, o ajudaram. Em alguns dias, o estojinho foi finalmente comprado.

O seu dono era um padre, conhecido por não ter boas idéias.

Ele tentou ingerir todas as pastilhas de… ( vamos chamar o estojinho de Bobby, mantendo seu anonimato ) Bobby, que, zelando pelo seu bem estar, travou a saída das pastilhas, deixando apenas uma única cair naquela mão enrugada e inútil.

O padre o esqueceu embaixo do sofá, e faleceu alguns dias depois quando teve uma brilhante idéia de ascender aos céus em alguns balões e um gps inutilizado.

Bobby se sentiu sozinho. Com a casa só para si, começou a navegar na internet e procurar alguns amigos para lhe fazer companhia. Para a sua surpresa, achou James no Orkut, na comu do ” voç asha q olbama vai zer un boum preeesident??”.

Hoje, James e Bobby vivem felizes juntos, lutando contra o preconceito de ambos serem balinhas homossexuais, e constantemente vão a programas de tevê contar a sua linda história de amor.

OBS: o relacionamento terminou pouco depois desse post, quando James e Bobby foram ao programa da Márcia ( Mexeu com você, mexeu comigo ) e a apresentadora, com freqüência falava a frase: Ele disse que ama e, para o polígrafo… mentiu.

Curiosamente, o assassinato de James passou no Datena, seguido de alguns ” vagabundo ” e ” falta de vergonha na cara ”.

A falsa elegia.

Postado em Uncategorized em fevereiro 19, 2009 por cellow

A Solitária Rainha vai fugir, não temos tempo o suficiente

No fundo, assim como eu, sabe que fez isso deliberadamente.

Adeus, eu direi, lenços de papel jogados a esmo.

Desde então, jamais serei ou me tornarei o mesmo.

A mente, a alma e a utopia, ligadas por um único fio.

O colar de pérolas desmanchou-se: seu destino é o rio.

Talvez eles se embriaguem em sutil deleite.

Mas, no final das contas, sua carne chiou no doce aroma do azeite.

Como não ser chato no msn

Postado em Uncategorized em janeiro 11, 2009 por cellow

Nos meus msns por aí,( sim, tenho 2.) notei algumas coisas que me irritam muito. Pode não irritar a outras pessoas, mas me irrita muito.
Pois bem, aqui vão alguns conselhos para que tenhamos um messenger melhor. \õ/

1º: Não coloque o seu nome como: Srtº Efron, Srtª Perfeitinha, Bella Cullen, Giovani Potter ou afins. É chato.

2º: Se a pessoa está com o status Ocupado, Ausente ou Volto Logo, é porque ela não está aqui. Não adianta mandar mensagens, porque o infeliz não vai te responder. E não venha alegar depois: Eu avisei Bobby sobre o encontro, mas ele não me respondeu. É uma tremenda filha da putisse. \õ/

3º: NÃO FIQUE MUDANDO O STATUS DE OFFLINE PARA ONLINE, só para passar uma mensagem. Cansei de ver as janelinhas subindo até encobrirem todo o meu desktop com mensagens futéis: ” ALINE, ME DESBLOQUEIA. ” ,” AMOR CÊ TAÍ? ”, ” VOCÊ NÃO PRESTA THIAGO. ” – Eu não tenho nada a ver com a indecência do Tiago, fale diretamente com ele sobre isso.

4º: Salve os emoticons corretamente. Uma coisa: irrita pra cacete quando você vê um ” F ” pulando, um ” E ” dançando,  um L, um I e, por último, um ” Z ” com braços abertos, só pra dizer a palavra: ”Feliz ”. Porra, quando for salvar um emot, coloque um símbolo no começo ou no final da palavra. ( Ex: feliz*, ‘feliz, *feliz, ~ feliz.. )

5º: É chato ver na mensagem pessoal: ” Eu coraçãozinho Marley coraçãozinho Jane coraçãozinho Maria coraçãozinho Alberto. ” Se quer expressar o seu amor ou amizade para uma pessoa, mande um scrap no Orkut, uma carta, um e-mail, ou fale com ela numa janela separada.

6º: ” Eu odeio todo mundo acaba de entrar… ” – Preciso comentar?

7º: Mantenha um assunto numa conversa do msn.| ” Oi. ” – ” Olá. ” – ” Tudo bem? ” – Tudo, e aí? ” – ” Tudo. ”|    Depois disso, silêncio. Cara, isso é muito chato. Puxe papo.

8º: Não faça os outros de ” contatos de enfeite ”. Se a pessoa está na sua lista de contato, não custa nada conversar com ela. Senão, vai chegar o dia em que você vai ter 200 contatos online, e não vai conversar com ninguém.

9º: Sim, alguém te odeia.

10º: O   ”[ 2 ] ”.    Isso é chato também. ” Eu gosto de nuggets [ 2 ]. ”, ” O Gabriel é foda  [ 2  ] – Porra, já escreveram isso. Escreve outra coisa como subnick, o acordo ortográfico não vai te impedir disso.

11º: Assim como é chato encher o seu subnick de nomes, é ainda mais chato declarar seu ódio ou a sua carência. ” Odeio a Maria. ” , ” Nooossa, tem gente falando mal de mim. ” , ” Uau, o Cleiton é um canalha ”. , ” Homens não prestam. ”     – Vire lésbica então, cacete.

12º: NÃO CHAME A ATENÇÃO, nem sobre tortura. A pessoa viu que você mandou uma mensagem, e choacalhar a janelinha não vai resultar em nada, exceto em alguns: Vai tomar , seu isso, filho de uma aquilo.

Acho que é só isso, espero ter ajudado a construir um mundo melhor.

Câmbio, desligo.

~

Plaquinhas.

Postado em Uncategorized em janeiro 11, 2009 por cellow

Em todo evento de anime, as plaquinhas são coisa certa. Sem dúvida, elas são a única coisa que nos faz rir numa fila gigantescástica de 4 horas. Vou reunir aqui as frases de plaquinhas que mais me fizeram rir. :D

” Spoiler da bíblia: Jesus morre no final. ”

” Se você é do Acre, grite: Sparta! ”

” Jesus morreu com 3 pregos, Kakashi morreu com um. ”

” Você gosta mais de: ir pra escola? ou batata?

” Somos do Quênia: viemos correndo. ”

” A vida é feita de escolhas. Pikachu, eu escolho você! ”

” O Acre existe, porra. ”

” Save Point: bate na mão. ”

” Doritos e Coca: Nada melhor pra aumentar as suas tetas. ”

” Qual o melhor personagem de Crepúsculo:
- Blade
- Buffy
- Alucard
- Demitri
- Draco Malfoy
- Richter Belmont ”

” Fique comigo, não aguento mais me masturbar. ”

” morenosexualcam entra na sala… ”

” O Acre existe? ”

” O Shaka morreu virgem. ”

E sem contar as situações. Um casal se beijando ardentemente, um cara filmando e a plaquinha: Cine Band Privé.

Uma pessoa solitária, no meio da chuva, com a plaquinha: você acha que vai chover?

~

Diálogo.

Postado em Uncategorized em janeiro 10, 2009 por cellow

- Não tenho o menor interesse, meu caro. E, por favor, retire-se, espero companhia.
- Como vou saber que não é apenas um pretexto seu para se livrar de mim?
- Porque o ” pretexto ” acaba de descer de um táxi. Venha cá, Lucius, falávamos agora há pouco de você.
- Sério? Sou tão interessante assim?
- Não, de fato não é. E, senhor… perdão, esqueci seu nome em meio ao falatório.
- Woordman. Walter Woordman. E entendi a deixa, estou saindo.

( Pausa. Woordman se retira, e Lucius ocupa seu lugar. )

- Quem era aquele que saiu?
- Ele me disse o nome, mas não é de grande importância. Apenas um senhor de inteligência comum e personalidade… medíocre. Parecia querer me vender algo.  Mas, Lucius, alegre-me com a sua juventude irrisória, sua inocência incoveniente e seus alegres comentários, sente-se aqui.
- Você é impossível, Ágatha.
- As coisas impossíveis são as mais admiradas, hoje em dia. Os tolos usam essa palavra com bastante freqüência, e os sábios mais ainda, na esperança de achar um ideal. Ou de desestruturar sonhos. Sabedoria não é sinônimo de bondade, como vemos diariamente por aí.
- Sempre criticando. Ora isso, ora aquilo… Você critica tanto o ideal, que acho que deveria seguir um.
- E a ausência de ideal já não é um?
- Preciso pensar nisso.
- Não, não precisa. Apenas uma vez, meu jovem, tente dizer algo sem pensar. É uma experiência maravilhosa.
- Prefiro continuar agindo racionalmente, sabe.
- E esse é o primeiro passo pra monotomia na qual estamos mergulhados.
- Chama de ” monótona ” a nossa relação?
- Ah, perdão. Quando uso o ” nós ”, quero dizer o país. É um mundo quase sem atrativos esses.
- Mundo, país… sua lista de críticas vai longe.
- Meu marido me supera nessa habilidade. Nunca fica indeciso com datas, números e nomes. Penso que tem alguma bizarra relação com o senso de pontualidade inglês, que os homens idolatram e as mulheres teimam em não seguir.
- Ah sim.
- Parece irritado. Disse algo que não deveria?
- Muitas coisas, mas não são a causa de minha irritação.
- Então tudo bem. Me sinto melhor. Não vou perguntar o que lhe irrita, porque, se não fui eu quem provocou, não me interessa. Irritação, curiosidade e intriga estão diretamente ligadas por um único fio.
- Talvez.
- Realmente. Vou fazer o seu jogo, apenas por um tempo.

( Ágatha e Lucius ficam aproximadamente 25 minutos em silêncio. )

- Pare com isso, meu amigo.
- Com o quê?
- De mostrar interesse nesse poste. Outro hábito irrelevante das pessoas, mostrar interesse nas coisas triviais, quando na verdade estão pensando em coisas bem mais complexas. Fale o que lhe incomoda.
- Nada.
- Isso, continue negando. Muito sábio de sua parte. Como é mesmo que você disse? Pensar antes de falar. Perde-se toda a emoção da vida incorporando esse hábito a rotina.
- Você se expressa bem. Deveria escrever um livro.
- Não, prefiro ler os livros dos outros. Talvez escreva uma comédia, me agradaria ver alguns bons atores representando algo que escrevi. Mas isso não impede que os maus atores também interpretem, e não há nada mais incômodo para a alma que ver a arte sendo deteriorada.
- Então não vai escrever por temor de ver a sua peça mal-representada?
- O temor rege a sociedade. Li num livro que o temor de Deus é a única coisa que impede as pessoas de cometerem pecados.

( Lucius se retira. É um homem demasiadamente religioso. )

- Mande um abraço para Sam, estou com saudade dele.

– Boa noite, senhoras e senhores. Eu sou o Comandante Silva e hoje… todos nós iremos morrer.

Postado em Uncategorized em janeiro 8, 2009 por cellow

O vôo estava normal. Mas, no fundo, sentia que algo estava errado. Os excessivos olhares entre aeromoças e piloto, o leve descaso com que alguns de nós fomos tratados ao embarcar… – Okay. Isso não é relevante. – Pensei. Tinha uma pequena aerofobia, mas nada que me impedisse de ver o meu amor, a cada fim de semana.O clima lá dentro era o típico mas, agraciado como sou com a minha capacidade de dedução aguçada, percebi que nem tudo estava de acordo. Novamente, ignorei e me sentei na poltrono cujo número estava gravado em minha passagem. O ursinho que ela tanto almejou estava no bagageiro, lá atrás. Ela. Os meus pensamentos se dirigiam a ela constantemente, num fluxo de informações que só tinha apenas ida. A senhora ao meu lado me lançou um sorriso, como se soubesse exatamente o que se passava em minha mente. De fato, o olhar de um homem apaixonado é facilmente reconhecido em qualquer parte do mundo. Lhe acenei com a cabeça, como em confirmação, e esperei a decolagem. Alguns minutos depois, quando as aeromoças já tinham feito os avisos de costume, o avião começou a andar e finalmente saiu do chão. Não me lembro de nada interessante e incomum até a primeira meia hora de vôo. Mas, assim que iriam se completar 45 minutos de vôo, uma voz ecoou pelo avião, levemente chiada. Era o piloto do vôo. – Boa noite, senhoras e senhores. Sou o Comandante Silva, e hoje… todos nós iremos morrer. – A voz de súbito silenciou. Por um segundo, que pareceu mais um pulsar do coração, um latejar de veias ou algo igualmente breve, ninguém falou. Em seguida, uma balbúrdia de vozes desesperadas e de homens enraivecidos tomou conta do Boing. Eu não sabia o que fazer, mas tudo ao meu redor era caos. Duas idosas desmaiaram, e lembrei-me delas no final. Uma mãe começou a chorar copiosamente. Alguns dos mais fortes tentaram forçar a porta da cabine, mas em vão. Parecíamos que estávamos todos a mercê daquele homem e, se o que ele afirmou fosse realmente verdade, estávamos a disposição da morte. Alguns rezaram. Esses eu ignorei, porque realmente não pensava em mais nada.
- Senhores, faltam apenas 10 minutos para a nossa morte. – O comandante falava em tom sádico, como se estivesse se divertindo com isso. Mas, ainda assim, era um tom de voz que não deixava dúvidas quanto ao nosso cruel destino. Passei as mãos na cabeça porque, ao contrário dos outros passageiros, já tinha me convencido inteiramente que não havia mais nada para fazer.
- Senhores, rezem por suas almas. Adeus. – Sentava a janela, e por isso pude ver o que se sucedeu.  O piloto parecia estar jogando o avião contra uma cidadezinha ali perto. A minha poltrona era uma das últimas, na parte traseira do avião, e por isso, pude ver o que aconteceu. O avião explodiu, mas eu não tinha explodido. Vi corpos caindo, poltronas voando, em seguida perdi a consciência. Acho que não estou mais aqui. Mas, naqueles últimos segundos de vida, tudo me passou a cabeça. As idosas que desmaiaram: senti inveja. Inveja porque não sofreram. Inveja porque só sentiram um pequeno temor, em seguida deixaram de existir. Mas eu pensei realmente nela, e como poderia explicar que nunca mais vou aparecer, todo domingo, na porta de sua casa com um presente, um beijo e o meu amor. O ursinho? Crispou-se em chamas, assim como todo o resto. Ninguém sobreviveu. Ninguém relatou o que realmente aconteceu. E ela ainda chora, toda noite, abraçada a uma foto minha.
- Senhores, hoje todos nós iremos morrer. – Uma explosão na escuridão pesada. Um trovão na noite calada. Pessoas que nunca mais iriam retornar para seus lares. Que iam deixar parentes. E ela ainda chora, toda noite, abraçada a uma foto minha.

- Senhores, hoje todos nós iremos morrer.

~

Ps: Foi levemente baseado numa história real, sobre um vôo no Brasil no qual o piloto, ao ver que o avião ia cair, ficava informando os passageiros os minutos de vida restantes. Quando achar o caso, informo mais.

Cantem comigo.

Postado em Uncategorized em janeiro 8, 2009 por cellow

As vezes que me bate uma loucura, pego algumas letras de música e as translato para o ingrês que alguns de nós cantam quando não sabem a letra.

Pois bem, a letra de hoje é Decode – Paramore.

( Vou colocar só uma parte, tô com uma terrível preguiça hoje. )

How can I decide what’s right?

Róu can ai desaide uatis ruaite?

When you’re clouding up my mind

Uen iour cloudim upi mai máinde.

I can’t win your losing fight all the time

Ai camte uim iour lousin faite au de táime.

Not gonna ever own what’s mine

Nót gonna ever oum uates máine.

When you’re always taking sides

Uen iour absorvente têikin sáides

You won’t take away my pride

Iou uonnt têiki auêi mai práide.

No not this time

Nou nóte dis táime.

Lá-lá-lá.

Lá-lá-lá.

Lá-lá-lá.

But my thoughts you can’t decode

Bââ mái quepohaéessa iou kên decôu.

Mais, em breve.

O assunto fluía.

Postado em Uncategorized em janeiro 7, 2009 por cellow

~

- Sabe, no começo eu não era uma má pessoa. Tinha apenas o defeito de achar que a vida era um filme. Ou melhor, uma poesia. Conseguia ver beleza em tudo. Mas, a partir do momento que você começa a ver mais o lado poético que o lado racional, começa a agir mais com o coração do que com o cérebro. E, os que já sofreram com isso podem dizer o quão prejudicial é. Cada garota, para mim, tinha uma característica que as demais não tinham. Apenas uma me era totalmente comum, e a característica dela era de não colocar o eu lírico feminino acima das outras coisas. Agia normalmente. Não era bonita no sentido clássico da palavra, mas agia como se fosse, e sem excessos. Simples. Aos poucos, eu começei a amá-la. Não, acho que aprendi a amar aquela menina encantadora. O assunto fluía. As idéias que surgiam de súbito como um vento qualquer soprado do oeste eram devidamente trabalhadas, matizadas e analisadas. Hoje, penso que ela era parte de mim, como um desses devaneios realistas que as pessoas as vezes tem. Mas a cicatriz emocional que ficou gravada no meu coração( ou no cérebro: parecia ter fundido inapropriadamente a razão com a emoção, sendo que a última sempre levava maior vantagem ) não me deixava enganar nem a mim próprio. Ao se lembrar dela, me recordo claramente de uma tarde límpida em que estávamos discutindo a música moderna, e ela me chamou de boêmio.

Não era, mas passei a ser.

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